segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mais uma vez, Jack.




Tudo começou de brincadeira, era fogo, mas nem víamos faísca sequer. Éramos cobertos de uma alegria pouca que calava nossos olhos em qualquer desmesura que nos arrasta pra eternidade, alimentados e satisfeitos de nossos dias modestos.

Qualquer atividade, era mais uma vez, um sentido a persegui dentro de uma ideia não desenvolvida e deficiente de algo mais completo, uma plenitude que coubesse dentro de nós. Algo que desconhecíamos estava ali, que incomodava, mas estávamos inebriados com nossas conquistas, vícios e com os acontecimentos; vivendo. Era a falta. A falta dentro dele e fora de mim.

Ele com seu estilo de homem sucedido: horários, fala, roupas e sapatos. E eu com meu universo que me proporcionava ter as melhores experiências, que me faziam gigante sem sair de casa.

Minhas canetas, todas elas, escreviam sobre o Brasil, desenhavam casas, helicópteros, fazendas, rosas com boas ondulações. Nem sei o que tanto fiz pra sobreviver a tantos delírios na infância. Quando os hormônios chegaram em alta, meu cabelo ficou comprido, volumoso, unhas roídas, um desencaixe só acontecia em cada tentativa de ser menos eu.

Lembro dele ainda jovem, bem do jeito dele. Só isso que sei. Seus sorrisos eram ele: boca de sorriso moderado, uma gargalhada pra se sentir mais humano até doer barriga, uma contentação que alargava os dias que hoje acredito que ele enxerga com riqueza de detalhes como qualquer criatura diferente de mim. Um homem invicto, fazedor da sua história. 

As pessoas que o cercam são repletos de letras, de uma cultura dele que me impressiona. Tentei ser como ele, eu não me dou bem em comunicar o que sou, nem sei o que realmente sinto, não sei o que seria de mim sem minha mãe e minha tia que sabem o que eu nem disse ainda. Mas sempre rodeada de gente; reservada.

Sou muito inquieta com tudo que acontece que não me leva até ele e o beijo nem aconteceu. O beijo não seria suficiente, é descartada a possibilidade de construções de um casal apaixonado. Eu não suportaria a sua determinação em querer morar apenas com uma lua no peito e de pegar de vez em quando algumas estrelas e colar nas minhas costas.

Não há lados, se é bom ou ruim, nem resumos, nenhuma palavra. Nossas diferenças é o que me faz ficar quieta e construindo. Um elo sem nexo é que nos fixa no mesmo ponto de encontro. Não sei de suas razões, eu não me sinto especial para que fique. Meus desejos sobre um futuro que ficou pra trás: Haja gás, muito querer e uma bituca de cigarro de um distraído pra fazer chamas.


Uma boa história pra contar.

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