sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cara de Raimundo



Eu não sei direito o que está acontecendo, Raimundo nem me liga mais. Está chato, está sem brilho, nem arrisca uma desconversa, calado. Ele ainda toca com os  dedos, com a palma da mão a tela do computador, a minha foto, aquela que fico de cara de Raimundo, toda dele. Eu ainda tenho receio da metafísica, desse querer inconsciente e insistente de querer estar perto. Não é brincadeira tampouco loucura, é apenas: Ele, inseguro. 

Aquela música, de um final simples - sem espetáculos -  que fala de um choro pouco, de um peito ardido, prantos à meia-noite: ela não me comove mais. O sussurro em que um segredo é dito, assim bem escondido: não se revela dia. Os encontros inesperados e que eram aterrorizantes por não estar com aquele batom ou com roupa feia: não acontecem mais.

Cresci mais uma vez ou eu minto de novo, ficciono e não estaciono, você é minha história ou o meu faz de conta. O fato é que eu não sei ficar tanto tempo longe de você.

Grita!

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