sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um quilômetro e outros 299




É chato não ter mais novidade alguma, aquelas ansiedades que me faziam ficar horas e horas me colorindo...  Ter os pés no chão não tem graça, absolutamente não tem charme aqui que me faça derreter, lembro daquelas conversas desmedidas e faz tempo que não tem som de meia noite me ligando, tocando meu peito, do lado de dentro crescente, doendo, aquela ausência tão sorrateira e delicada dele, o poeta.

Aprendi a não ter. 

De todas as minhas lembranças, a que mais valeu. Tantas permissões acontecidas porque eram possíveis em nosso mundo - mais intensas que qualquer contato - aquilo era como morder e sentir descer pela garganta uma comida deliciosa, pairando pelo ar e em toques sutis cada partícula tocava o corpo, encarnando, emaranhando (dentro e fora).

Posso jurar que ele sentia o mesmo. Mas... Quem não quer um amor assim? Por que não? Eu pensei. E por que duvidaria de algo tão forte assim? Capaz de fazer um milagre em mim (...).

Ele mora a mais de trezentos quilômetros de mim, ultrapassou os limites de quem eu posso sentir saudades. O que acontece com ele é da minha conta, eu me importo, sim. Lembro que até o seu corpo revelava muita coisa, o seu jeito de buscar palavras pra inciar frases e suas escritas tão carregadas de sentimentos, de máscaras, de uma coisa que o fez confiável, muita informação de quem diz pouco de si.

Eu tinha medo daquilo. Acho que tenho ainda. Timidez. Porque ele sabe de tudo: um montão de coisas e de coisas que eu fico roxa de vergonha. E quando penso, me da vontade de fugi, de me esconder, de esquecer. Por outro, isso não existe, pelo menos não sei de casos parecido com o meu. Não da pra ignorar.  Eu corria cegamente eu estava muito puta, me equilibrava perfeitamente com os desconfortos dos outros, dele também. E quando minha visão voltava, lá estava eu dando gritos pra tirar aquela euforia dos infernos que acabavam comigo, me sentia muito idiota. Na realidade, nunca vou saber que diabos eu ia fazer mesmo se tivesse uma oportunidade de aparecer - essa é a parte mais frustrante.

A mágica está em não ter.

E aquilo diluiu em alguma manhã com algumas gotas de realidade. 



2 comentários:

  1. são os mínimos traços as sabias palavras que transforma uma pequena escrita em um grande texto que por trás de todos os aparatos tem um coração um som uma alma que vive exclusivo para nos agradar com a leitura é isso que me faz saber que você escreve apenas para as pessoas que tem mas enfase que admira uma boa leitura obrigado por nos fazer voltar no tempo com seu grandiosos texto!!!

    ResponderExcluir