sexta-feira, 4 de maio de 2012

Eu e eles: todos os dedos







Os dedos num encaixe preciso na costas permitem o encontro dos corpos cheios de desejos juvenis: uma falta, uma necessidade, um abraço.

O tempo passa revelando os caminhos em que a maturidade propõe e nós a bailar qualquer ritmo satisfeitos, sem grandes momentos mágicos, e, tão logo são porque é assim que acontece a vida: De momentos simples. A busca boba de uma trilha sonora nos nossos ensaios - beijos, abraços, carinho, poses e charmes - sem pretensão, sem promoção ou autopromoção, num pacote cheio de carência exorbitante e ou talvez delírios ou perdidos ou Ets! 



Sabe aqueles abraços fortes, sem ser fortes, assim intensos? Eu tenho.

Na calçada exatamente do outro lado, do lado quebrado, sentei perto de onde me deixava mais descontraída.

Aquele olhar longo, que parece elástico que vai de um ponto bem ali e volta pro chão e depois para os pés de número 38, as unhas cerradas e sem cutículas e depois esquerda e direita para o vazio e o chão e os pés, as unhas e novamente para frente longe e perto, pra cima, a noite cheinha de estrelas - acho que nunca revelei minha fascinação pelo céu; na bíblia diz que os descendentes (os filhos da fé) de Abraão são mais do que a quantidade de estrelas - Fico vendo aquela cruz, uma ilusão de me localizar no universo. Na minha casa em Batalha fica do lado esquerdo bem pertinho.


E um gesto novo naquela noite, os dedos deles gelados tocaram minhas costas, os sentimentos dele passavam por mim e me arrasavam. Logo nos misturamos com os amigos e aquela noite foi embora roubando minha armadura.


Eu quis dizer, eu tentei, mas deixei pra lá: Eu só sei brincar.


Eu tenho medo disso tudo que não conheço.




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