terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu e a minha promessa






Estive longe de casa com um povo que não me pertencia, compartilhei afeto e momentos de extrema alegria, entre piruetas e o silêncio daquele lugar bonito deixou escorrer um líquido que guardava no peito por todos os poros, alcançando um peso de 15 kg que são apenas de meus pensamentos férteis.

E no meio daquele povo... Distribuindo leveza e aceitação de erros mínimos - não tinha água encanada e dela o gosto de ferro - nada estimulou minha solidão. Nem me lembrei do que se passou, nem senti saudades. Uma vida ali só minha, sem ninguém e com todos, preenchendo minha fome de não sei o que é.

Encontrei Gabriel.


E um convite foi feito a mim, ali em tantas gentes. Fui lá exercer o papel de cantora gospel e praticar o jogo de cintura driblando qualquer desconforto.

Enquanto eu cantava, dentro dele nascia um fervor, um embalo que se  prendia nos olhos. Olhos atentos a cada passo meu, podia até entender que no momento em que usava o diafragma ele torcia pra não desafinar... Ele esperava o momento em que eu o olhasse pra dizer que eu estava ótima.

Arriscamos numa melodia; horas anteriores e vejam só:

E quando decidimos cantar juntos, foi uma conexão daquelas de fim de mundo, nem eu acreditava que pudesse chegar a notas tão altas com uma leveza proporcional ao timbre dele. No dedilhado, no vai e vem do vento, a lua estava tão linda, pessoas aproximando e acomodavam-se em círculo e fechavam os olhos, outras admiravam pouco distantes, uns com um largo sorriso de inacreditável, aquilo tudo fazia parte de algo maior que eu, do que eu mesma poderia causar, aquilo me encheu e não sei dizer mais sobre isso.

E... pra completar minha contemplação, apontou os olhos dentro dos meus e carinhosamente, sem ensaios e disse: Quer namorar comigo?


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