terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O hoje em dois tempos

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Toda vez que eu começava a falar no Futuro incerto começava a contar os anos que não me sentia no presente. Sentia-me como todo dia, como todo fim de tarde, sozinha. Não olhava tão longe, procurava cantos pra me enrolar em panos macios e me esconder do frio. Eu tinha poucos anos de vida ainda. Épocas de muito riso e situações não compreendidas que os outros me levaram a qualquer lugar que eu nunca tivera ido. Cravando em mim experiências, iguais as de todo mundo. Apenas lembranças.

O meu passado, se formou, casou, envelheceu e morreu. O renascimento não me pertence, não há voltas para o reinício ou para aquela sensação dos acontecimentos irreais que desceram num bueiro e ninguém mais ouviu falar nisso. O que se tem é bocados de Tensões X Alívio. De certo é intransponível o que se vive e o não viver.
 
Estou ouvindo um ruído vindo do norte, entrando pela minha janela, parece que sabe que eu fechei a minha porta. Nele lhe cabe um vocabulário extenso de saudades, de carinhos maus dados, uma maciez de um abraço que eu nunca ganhei, ou melhor, que jamais senti até agora. E isso é tão sincero e tão verdade como um toque de mãos frias, suadas e de pernas bambas de corações apaixonados.

Meu Futuro incerto, me coloca a oferecer carona e sorriso largo pra ser bonzinho comigo. Porque não quero ter lembraças do meu não viver. E de protagonizar o meu faz de conta.

O melhor caminho é o que se sente com os pés no chão e vento no rosto. Torcendo pra não ser mais como ontem. Estou falando de realizações de gente grande, de homens e  mulheres de coragem.

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