sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A vítima e o camuflado

O salto
Planejei, me arrisquei numa fuga. Não deu tempo, não me deram esse tempo. Quis correr, me esconder, não deu certo, falhei e fiquei com minha estranheza exposta. Meu corpo não sabe o que é, não quis senti isso, mas senti e eu gostei. Algo que te deixa nervoso, eu fiquei nervosa, com uma sensação de morte arrebatadora.

É inevitável, sem explicações, como se eu tivesse no meio do nada, no seco, no mormaço e de repente estou no centro do verde, na companhia do vento gelado e pássaros, cantos de pássaros. Eu não sei, não saí, não vi ninguém, mas senti alguém.

A única certeza é que eu tinha de estar lá, algo de dentro me afirma isso diariamente, que eu tinha que senti isso, isso que não sei dizer. Dói também, dói tanto que eu choro, fico ligeiramente em prantos,  pedindo socorro porque eu não aguento estar assim. Pareço só. 

Procurei razões e não acerto nenhuma. Alguém que não aparece, que parece brincar. Que me levou sem eu perceber. Que me tocou e se escondeu. E que ri chorando, esperando encontrá-lo camuflado no meio do verde. E eu nada posso fazer, já estou amando esse "isso" que mais parece ser o melhor da minha vida.

Sou desse alguém que ri e não posso contestar, não posso. Sou mais vítima do camuflado, do que ele por sua camuflagem. E nem sei dizer porquê.

Um comentário:

  1. Sou mais vítima do camuflado, do que ele por sua camuflagem. E nem sei dizer porquê.

    Parabéns pelo blog!

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