quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Desafinado, mas a gente se entende

                   

Ele veio com seu ar de mestre, calado, cheio de sabedoria, espaçoso em abraços e melancolia querida e compartilhada. Em saltos metafóricos de respiração congelada, nas vezes que afirmava seu sentimento. E eu, só ouvia. Com a mão esquerda tentava massageia meu coração, ou a colocava no rosto, ou no nariz, buscando ar, buscando razão, tentando me convencer que é verdade, pois me comove e me dissolve com seu "Oi", quando tento assassinar o silêncio, já, sem comentários ao meu dispor.

Eu era vítima de paradigmas destes homens ausentes que faziam de mim, uma garota de expectativas e ao mesmo, desacreditada de promessas. E ficava sempre assim: Só amanhã. Sempre aconteciam, os diálogos, depois da tarde, já grudando no outro dia. Eu tossia, a garganta como sempre não aguenta todo frio e ele conversava com o coração apertado, torcendo pra que eu tivesse um mínimo de reciprocidade.

Ele chegou de fininho, todo vestido de simpatia e sedução, aliás, ele não se vestia, ele traz na pele e nos olhos - que passeiam dentro de mim, mesmo sem permissão - a poesia que um dia busquei em lugar errado. Ele canta e me desmancha em sua coreografia estrangeira. O som da sua voz corrompe meus dias: comum, solitário, elétrico e baleiros.

E essa reciprocidade, que tanto almeja ele possui. Só falta assassinar a distância. Torne-se assassino! Eu disse timidamente. Porque meu coração de grude, está secando, perdendo o sabor, ficando duro e diminuindo, feito chiclete. Esse mal é a contagem regressiva que não cessa que parece sempre.

Eu te quero, muito, muito, muito, muito! Prometa que não irá me esquecer. Não me esqueça! Não te dou o direito de sumir. Declarei, e atropelei todo o português, com rajadas de cuspe e sorriso nervoso atenuando o que na verdade estou por dentro.

Agora mais do que pensei ou planejei: Eu tenho que ser alguém.

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