terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dois a três

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Uma página em branco, não tem nada a ser mencionado. Pois é. Esse sou eu.

Estou sem palavras, quem pedirá socorro! Ela ou eu? Preciso ser riscada, e ela continua: Alguém, me pinte, me borre, me amasse, me pegue! Porque sei que noutra vez será tarde. Logo ali na esquina a vida começa, cheia de desafios. Tudo se vai, vai indo... e tudo some.

Olhe, derrame algum suor, discuta, absorva, desenhe. 

Essa folha de linhas imaginárias, a página. Ela sabe que anda branca, cheia de nada. Ela sabe que tem que escrever; algo tem que ser escrito. Sozinha, por ela. Ela não enlouquece, não disfarça, não se reprime. Não se ilude. Não foge.

Alguém veio sorrindo e atrapalhado, querendo da folha branca, algum número, algum traço de realidade. Uma pontinha de fios que contornam o corpo, embelezando a alma de um corpo sem som. Que caminha despertando olhares e intimidando aos que querem dizer: Boa tarde! Esse é ele, esse alguém que não se cala em tanto olho castanho, ninguém percebe o que veste, o que ele esconde, e mesmo, não é esquecido.

Entre várias declarações: de fim, de engano, de amor, desafeto, fraternidade, sexualidade, bobagens. Só o nome se repetiu e ficou cravado em mim.

Sou o: Pois é. E alguém veio e não disse: Oi, moça! E... Pois é, querida.

De certo vou dormir mais tarde, como todas as noites. E amanheço sem dar: Bom dia, moço!

Pois é. Não a nada a ser mencionado. Porque está escrito. A não ser por algo tão antigo, que se renove. E esclareça aos olhos dela, dele e ainda para mim. Pode ser sem sintonia, um deles pode escrever, os dois, ou ela se deixe ao menos ser fotografada, ter alguma letra: Um caminho melhor.

Uma página em branco, mas cheias de fragmentos importantes. E sei que minhas características são metódicas, ainda tem pouco de dentro pra fora.

Essa sou eu. E sou o: Pois é.

Indefinida, ainda. Mas não fica por aqui, tem mais. Porque não pretendo morrer. Talvez não seremos um ou dois, nem a página, nem o recomeço. Tudo é novo. Somos três. Dois a três e nem foi ideia minha. Foi só pra uma vez e nunca mais. E foi. Está sendo. Repense.

Eu não disfarço, sou um refugiado de não sei onde, talvez em outro corpo, pois esse já está ocupado;  e eu sou um medroso e errado. E não será pra sempre, fico aliviada por pensar assim.

E, eu não tenho talento em escrever. 

Pois é.

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