terça-feira, 24 de agosto de 2010

Seu silêncio

Detalhes cheios de descuídos e alegria
Você que estende a mão e nem se oferece de verdade, que elástica os olhos quando o tocam por dentro, ainda não sabe que é mais querido de todos. Mais esperado e não sabe. Navegar dentro de ti foi excepcional, e mais, ouso dizer: É uma caverna cheia de ecos, de caminhos, cachoeiras, de desenhos perfeitos que só anos de espera e armadilhas acionadas por mais de cem vezes a natureza é capaz de formar.

Todos querem te encontrar, alguns pedem excessos. Alguns não são capazes de entrar, pois você aparece de moldes clássicos de um escuro quase vermelho, que absorve segurança e há os que não suportam fragilidade de si que você é especialista em mostrar. Alguns te visitam arrastados pelo amor a cultura. E isso não é sacrifício. Outros só querem saber o tanto de ti que souberam numa roda de praça. Consumir você é caro, pois te muda pra sempre.

Você se esconde no silêncio, enquanto que eu espero. Então eu grito: Alguémmmmm estáá aííííííííííí! Ecos e ecos. Um desespero camuflado de pouco sentimento. Eu não escuto você. Talvez seja porque você não queira tanto como eu. Se disse alguma coisa, meu fôlego distinto me afastou de ti, não fiquei por mais de dez minutos e você não se vestiu de coragem e ares frios que se desenvolvem em instantes, para um chamado, que poderia ser o marco de nossas vidas inventadas, melhor, ventadas. Suas gotas não me molharam e se tentou, não encharcou minha estrutura que passa em seus dedos como tecidos finos. E me sinto sem você.

Eu ando expectante de forma tosca, desengoçada, inebriada pelo tempo que decresce e fácil aceitação. As erosões que te fizeram belo, te apresentam irreal. São importantes, teus detalhes. Você existe e isso é monstruoso ao mesmo tempo, pois se alguém melhor descobriu você, oficialmente teria problemas cardíacos. Ficaria velha com noites sem paz. Sou tão utópica que sempre acho que vou poder ver você, com qualquer papo moderno e curioso desse jeito que somos.

Quero encontrar-lo. Necessidade de aparecer, conhecer essa acidez de estar dentro do outro, esse algo que queima por dentro, roubando tudo de mim. Cansei de ser reprimida por valores falsos, que nunca trazem felicidade. Do povo que aprendeu a ser todo dia a mesma coisa.

Ser diferente não é má ideia. A gente pode ser feliz, podemos voltar se não der certo. Como todas às vezes quando tentamos e não deram certo mesmo.  Eu quero tentar.

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