quinta-feira, 22 de julho de 2010

O que é o amanhã sem perguntas?


 
                               Teenage Stories by Julia Fullerton Batte



O que tiver de ser, é. Simples assim. Mas o que é simples? 
O amanhã sem perguntas,
é o último a ser escolhido, quem será dono da verdade? Dono do mundo? 
O valor de duas décadas, de três, significa: velhice-ouro?



Todo desconforto preso e riscando a pele, abrindo camadas de cinco centímetros de dor lilás. Dispersa qualquer dúvida de algo inacabado, um fim cheio de superfícies caroçudas, crateras, dores pontudas, eu nem sei de tanto - acho que isso deve ser saudade. Obtuso e místico.

É um vazio de fome, um desejo incompreensível. Uma dor que não faz chorar. Um anseio sem promessas de perguntas e perguntas em manhãs sem muito som, só neblina e muito frio, se há alguma pergunta, posso apostar que seria de cada um: Que será amanhã?

Nada disso me fez transbordar devastoso. Nunca abandonei Jack Jhonsson, mesmo em tempos de Psy, me sinto estranho, sem o poder de mim, o caminho ameaçado e possivelmente cheio de insucessos: um tormento cruel e que mastiga até minhas feridas em vermelhidão.

Alcançar desejos fúteis, cerimoniais incomuns, já nem são doces de que possa lambuzar.  Ontem nem levantei minha rotina de Pés limpos, e esses nem saltam mais, estão de férias, ingerindo minha sexualidade de forma leve, bem neutra, querendo dormir junto aos estúpidos, isentos de qualquer mau, do horror do amanhã misterioso.

Outros pés, talvez, sejam certos. Mas abandoná-los não será fácil, não terá começo tranquilo. Como casa de cinquenta metros e de vários cômodos, assim é esse texto, não esse aqui, esse que sai de onde nem eu mesmo posso achar o começo. Precisa de reformas, a casa - a mansão, acho que é isso, sou terrível em espacialidade.

Nas noites que são irresistíveis, não completam esse vazio, cada vez cresce, formando um escuro torpe, que minhas unhas esmaltadas de preto e brilho tão bem retratam. Por ser imensa, custará mais os cômodos que precisam de cortinas, as janelas terão um metro de comprimento só de luz em salas, quartos e cozinha.

Construir a casa perfeita não será fácil, mais fé e cafeína. Mais vitamina, saúde mental.

Aqui não são apenas saudades, é o medo terrível de sumir e ninguém saber que eu tentei, não é mais solidão.

Febre. Sintomas de febre. Febre. Pés gelados e limpos. Sol em luz branca, que arde a vida.


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