sexta-feira, 16 de julho de 2010

Laudas brancas pacificadoras, não haverá dor.

Namoro as escuras
  De estimo carinho e admiração, quero que saiba que há respeito em tudo que foi em você, em todas as salas, janelas abertas e semi-abertas, sem salas, sóis de quase meio-dia. Fotografei todos os teus instantes, tua roupa que nunca disse tudo sobre você. Não escondi meu rosto, quando tua luz se fechava, encerrado qualquer princípio comum, engatando  num cotidiano que só corações fortes e ferventes aguentariam. Senti tua boca, soando letras bobas, e às vezes me surpreendia com algo fora de comum, que só você é, só você destaca entre tudo e ligeiramente, ímpar. Mais uma vez, em seus diálogos nada iguais, você vinha cheio de álcool, entorpecendo e me fazendo desacordar de tanto clichê inexistente, que me fez aventurar em tuas cadeias montanhosas até não poder mais. Em todas as luas crescentes, no sítio e poucos porcos, num cheiro fresco do campo, não tive reações, daquelas enormes, capazes de modificar qualquer céu duvidoso, nenhuma chuva parecia inundar meu querer espacial de estar dentro de ti, bem naquele lugar que não se pode sair mesmo com tanto mais para viver. Íamos como sempre ao rio, sempre de verde, pra combinar com o que havia ali, sempre em primavera ou em outono, regatas só nos verões, bombom pra passar o tempo, fotos eram o quê nos envolvia feito profissionais de entrega rápida. E da última vez, de quando não fui pra diversão em fim de semana, fui estranha, fui indiferente; consumida de monotonia, vi em seus olhos o desassossego, confusos, irritados em alguns momentos, cheios de explosões. Não movi nenhum dedo pra acalmar teu declínio. Não foi você. Fui eu. Embora adorando tua presença, eu não sei mais se estou para você. Pode ser que não estou pra ninguém. Cansei, mas tudo estava tão bom. Mas estava tão igual, que precisei me deslocar mais um pouco pra esquerda, abrir os braços e seguir qualquer direção, que não me causasse tédio. É hora de ser realmente feliz, você não acha? Posso estar errado, mas só se for n’outro mundo, que você não é capaz de estar. Embora passando belas tardes contigo, não senti trocas salvadoras, que pudessem levar meu desespero à mansidão, meu estado encontra-se num fim de mim, onde ninguém ver, ninguém alcança. Não sei se isso é bom, mas nada é em vão, não acredito em despropósitos. Enquanto achei que fosse possível alguma verdade, fui feliz. Convide suas pessoas, leve-as pra passear, leve-as onde sorríamos por quase nada, naquele sítio, onde o compromisso era fiel às verdes e às claras, fotos e bombons e tudo mais que não conheci em você, mostre-os seus animais, tuas crianças mau-educadas, tua grosseria inflamada, torne-se melhor, sinta-se grande com qualquer vitória, não esqueça de um sorriso mesmo de fora pra fora, mantenha-se íntegro. Não imite mais ninguém. Corra bastante até não ter fôlego algum, sinta o prazer de estar vivo, festeje a cada tempo novo. Ruim, por que não? Até onde sei só servem mesmo pra dizer: Eu venci! Não digo adeus, nem me visto de preto pra qualquer memorial, você ainda vive aqui, por detrás dessa roupa verde, ainda tem alguém com uma parte de frescor e verde luz. Contemple tudo em sua volta agradeça sempre por existir um novo dia e alguma lua crescente, participe mais do que eu não sou capaz de ser. Seja graciosamente mais terno, mesmo que comece pensar em mortes, em agonias. No silêncio, quando quiser me encontrar sem grandes estragos em um de nós, abra os pulmões e transpire. E se, em algum momento, surgir dores gigantescas, típicas de um medo terrível de solidão, sem vozes internas, sem grandes magias, ao qual causou minha união a ti, segure tua súplica e cite paulatinamente o quanto precisa ser alguém, converse só ou com algum ser maior em tudo que existe. Não é você, não sou eu, apenas tudo muda. Porque você tem que ir, mas é por você.  Quem sabe a volta, seja uma verdade. Ainda, a partida pode revelar a volta de uma eternidade, que só os olhos mantêm.

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