quinta-feira, 24 de junho de 2010

Necessidade em traduzir

Eu e Leina Cavalcante
Deu vontade de mudar, deu vontade de crescer, deu vontade de enxugar tudo que derramei, preciso de um espaço só meu! Não estou sendo egoísta, nem tão pouco intolerante, nem me julgo a tal, me sinto um membro que saiu involuntariamente, tocando tudo de dentro pra fora.



Sendo metida, um pouco psicótica, um tanto debochante, nem um pouco amável, estou crescendo e crescendo, não tem espaço pra esse mundo em que me colocaram pra um dia ser: Mãe, professora e dinheiro de contracheque!



Meu futuro está aí, bem perto de onde nem imaginava, parece mentira, um tanto fugitivo esse caminho que tomei, mas e daí? Ao que me consta, quem se moveu para enxugar todas aquelas malditas lágrimas? Tudo começou por aquele panfleto, dizendo ser minha oportunidade.



Dias se passaram, lá estava eu numa fila, humilde e com os olhos retratando um caçador faminto e decidido. Meu último lanche caseiro, minha saída ao meu alcance a dois metros, minha chance, disposta a seguir regras, ser radicalmente submissa. Achei-me quando estava perdida.



Sei que durante essas próximas semanas vão arder, até para quem nem me viu chorar, até quem eu  nem conheço irá lamentar, mas não posso parar ninguém soube me ajudar, ninguém sabe dos meus sonhos, quem poderia me ajudar já disse pra eu partir, seguir minha história, fazê-la enquanto não estiver velha, para que eu possa me orgulhar do que fui.



Sei que vou abrir mão de muito de mim, parte de mim irá morrer, ainda digo, que poderei estar sem um olho, vivendo com metade de coração, respirando grosseiramente pra evoluir, pra sair desse caos lastimável que não consegui fugir.



Não quero ser a vergonha de não ter tentado, não quero ser o fracasso de quem desejou meu salto; um desenho mal feito, mas tão querido que seja xerocado. Uma pessoa além das perspectivas modernas, uma pessoa que soube ser feliz.


Vivendo todos os dias, morrendo para meus desejos insanos, recalcando de pó meu vazio perturbante, injetando o que não se encontra mais em qualquer lugar, sumir, mas estou sempre de volta para quem me espera. Eu vou fazer acontecer, eu quero ver o que não vi ainda.


Não sou a mesma, sou um alguém pequeno que sabe: Que esperar não surte efeito quando se quer viver bem, quando tudo é minúsculo e torto. O jeito é abrir caminhos num querer desbloqueado, desenfreado, que é o meu.

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