segunda-feira, 17 de maio de 2010

Eu e meu coreógrafo


Foi como uma dança e nosso ritmo atípico, nossos pés desnorteados em nossas gargalhadas, sem querer pisei no pé dele, pensei que fosse o fim, fiquei angustiada, mas ele riu e riu muito, sorriu inflamado e não precisei pedir desculpas.

As horas já não declaravam o fim, meus olhos não acreditavam no que via, meu corpo esteve frisado. O som convidava mais gente e muito mais... Que ficamos perdidos, só saímos quando a festa acabou não ouvíamos mais nada e nem percebíamos a multidão, estávamos juntos. Só isso bastava.

Estávamos parados, nos olhando, cheios de dúvidas, de aconchegos e um mistério que parece nos rondar a muito tempo, que... Nos unia? Éramos Conhecidos?

Podíamos ver o coração do outro através das roupas cheias de brilho e frases em inglês. A respiração carregava o cheiro do outro; e fechamos os olhos, deixando os sentidos aguçados, calmos, e eu como um bon-vivant sempre cheio de sede.

A música parou de tocar, mas ainda ouvíamos aquele som do rádio que nem sabe o que é MP3, as ondas sonoras não chegavam a nossos ouvidos, corriam e se escondia no tímpano, que ia se acumulando e acumulando e naquela noite não conseguir dormir. Nem sei se ele dormiu.

E no novo dia apenas certezas infundadas, que alimentavam o meu eu solitário. Ele está vivo e muito vivo?!

Os dias seguintes estão coloridos, o vermelho do sol não corrompe o fim do azul, apenas dar força na beleza da noite. E as noites são só minhas. E de mais ninguém. Pode ser dele também, eu deixo.

Estou mais do que virtual, estou presente em todo lugar, pareço um conhecedor de tudo, parece que meus pedaços têm olhos. Não me assustaria daquele moço ter arrancado algo de mim, minha matemática diz que areia não tem fim, se desloca pra qualquer lugar.       

A verdade é tão simples, sem riscos, uma TV LCD de 42’’. Uma ótima opção pra umas pipocas e refrigerante.

O ritmo que insiste em ficar, me faz dançar sozinha, numa coreografia que não escolhi. Que não escolhi mesmo. Meus pés estão curados dos calos, e aquele homem é um conhecido? Talvez nossas drogas já não surtem mais efeitos, mas fingimos que estamos na maior viagem, sorrimos bestalhados.

E a multidão? Não tem multidão, ninguém nos ver.

Apenas conversas e movimentos incontroláveis, frases soltas, minha imaginação aflorada. Mas desconfio de que seja real e bom demais, ainda ouço música.

Eu tenho um saco de pipoca.


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