quinta-feira, 25 de março de 2010

Morte súbita

      Meu plano é conseguir ver os ETs, tomando chá, discutindo quem vai pagar a conta. Dar tiros sem direção, sem reação. Dar uma volta em Marte, saber quanto vale a amizade, vou fingir que sou um pato, diferente, tagarela, que não diz só Quá Quá! Vai agir feito gente, vai ser cantor e um cara fumando no canto é fã.      
      E quando tudo isso me encher vou tentar descobrir um jeito de estar em dois lugares ao mesmo tempo, fazer pirueta acabar com meus extintos felinos, escolher nomes de estrelas problemáticas, enfim, dando idéia de artista. E quando estiver zonza, vou procurar um lugar tão alto, que eu nem sei voar, quanto vale a dor? E discutir sobre fricção, ser celebridade como Físico, conquistar pra ter nome na revista.
      E na minha malícia, escrever no peito KISS ME QUICK! Dinâmica de lordes. Alcançar uma magnitude paranóica que move o mundo. Descobrir o volátil movimento de meus dedos e limparei minha janela translúcida e enxergar como olhos nus, alguém de cócoras saciando a fome embaixo de uma árvore, que sustenta minha mente insana.
      No meu desencanto me usufruir de coisas supérfluas e encher a boca de citações sem sentido ou de sentido duplo, ambíguo, assim dizer. E focar para nada, dizer que sou um autor de um livro com uma linha, que digito meu nome diversas vezes, tantas vezes, sem revelar de certo bem o meu nome.
      E quando passar o tempo e sofrer uma sucessão de desastres, morrer. Quanto vale o amor? Vou dizer que construir histórias e fui feliz. Nas nuances, de baldes frias em meus prantos de ego desequilibrado que seja, arte. Nas minhas tentativas de esplêndido infortúnio em cascas secas e solitárias, eu cresço, aí, eu viro verdade e mudo meu nome. Descasquem-me e me devorem!
      Descontrair, abalar sistemas esotéricos, fazer do meu eu um esmero, que acautela o outro que se faz desentendido, morto. De um jeito suicida me rebelar, contestar e me dar por satisfeita, sem razão alguma. Quanto vale a minha definição? Afoguei-me em falácia, de uma insígnia revelada. Transformou-se, em perspectivas remotas, as chances eram vulneráveis, um exagero de vida, subitamente morri de novo. Onde minha consciência permanece viva, inibida, um pouco abalada de uma revolta sem identidade, que culmina a minha decadência de guerra vencida, já sem armas. É um ponto final e não há solidão.
      Assim com algemas num cubículo, onde cair em tentação, estou parada em sua frente, mas uma força maligna embaça seus olhos de maneira peculiar e intrigante, onde um anjo declarou guerra. E o bem sempre vence. Aqui e agora, numa reciprocidade profunda e sincera, poderia me revelar, poderia ser descoberta, bem simples como minha caligrafia de letras simples. Você sem espera, sem estragar o momento, fazer o que temos vontade só isso.
      Eu, Rebeca, não tenho uma eternidade pra viver e mesmo se tivesse, diria Sim, até quantas vezes precisasse ouvir. É época de decisão, minha crença é firme na condenação de que pressa destrói o que é bom. Nos barquinhos feitos de um menino, presunçoso e eficaz, vejo o céu de um jeito que meche os músculos de minha barriga, um frio intenso, com mãos molhadas, sem chão. No mastro bem desgastado, o menino doa aquele predileto e transferi estórias que soube escrever escuso da sua varanda. Não consigo esquecer seus contos. Eu penso nele todos os dias, mas que hoje é como tesouro, com outro dono.
      Eu, Rebeca, já não olho pra trás, busco navegar e ter petulância de mergulhar sem pensar no infortúnio de que pode ser águas quentes. Dirá Sim, enquanto eles dizem Não. Mesmo sem condição alguma de falar, diria Sim, em força divina. Olharia no mais fundo do teu olhar, de onde saem uma luz, que me deu progresso e responderia quantas vezes precisasse acreditar, mesmo aqui, ou em outro lugar, num corpo de situação, com ou sem testemunhas, num orvalho que cai, nas tardinhas deliciosas, no luar perfeito, chuvoso, nublado e no mais, no calor da tarde, num desconforto de ônibus e ainda com fomeeeee! Eu diria Sim.
      Esse joguinho de Quem procura quem? Me dilacera, eu quero mais, muito mais, não posso dizer que te amo, mas te quero tanto, tanto, que até desconfio que te amo. Você com seu ar de sumiço, de presença, de camisa sem estampa, de cuidado minucioso, com suas mãos cheias de idiomas, como pode precisar de mim? Eu, que até então, nem eu me conhecia.
Talvez me afoguei novamente em falácia, temendo de um medo insuportável de me perder e me ver sem saída, sem resposta, sem rumo. Já não quero mais errar, viver na ilusão, mas não me desespero, vou esperar até alguém surgir e me encontrar e me olhar como nunca mais tinha recebido, inesquecivelmente, incomum, singular, que cause calafrios, um ligeiro distúrbio da minha segurança e me tocar como só eu existisse, só eu.
      Andando nessas vielas, com postura, com ar de quem pode, com máscara de um Hiper de parecer moderno, me sustento, nas convicções de coisas que ninguém vê, não imploro amor. Posso ser transparente, sem precisar falar e escrever muito, então, se você me ama não vai me deixar saber? Seu coração bate? Meu sinal é vital. Me deixe viver. Me agarre ou assista: Eu partindo. Eu diria Sim, eu digo Sim enquanto eles dizem Não. Se mesmo, eu não souber tocar seu coração, e você aparecer como infame escrito no peito: NO! Tome o conhecimento desde já de morte, me deixe viver.

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